DEFICIÊNCIA
Mário Quintana
Deficiente é aquele que não consegue modificar a vida, aceitando as imposições de outras pessoas
ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
Louco é quem não procura ser feliz com o que possui.
Cego é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus
míseros problemas e pequenas dores.
Surdo é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou apelo de um irmão.
Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
Mudo é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
Paralítico é quem não consegue andar na direção daquelas que precisam de sua ajuda.
Diabético é quem não consegue ser doce.
Anão é quem não sabe deixar o amor crescer.
E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:
Miseráveis são todos que não conseguem falar com Deus.
sábado, 5 de novembro de 2011
domingo, 25 de setembro de 2011
DISLEXIA
Dislexia
A criança disléxica demonstra sérias dificuldades com a identificação dos símbolos gráficos no inicio da sua alfabetização, o que acarreta fracasso em outras áreas que dependem da leitura e da escrita.
Agora, com mais detalhes vamos enfocar a dislexia como um distúrbio específico do indivíduo em lidar com os símbolos (letras e/ou números), para que esse indivíduo possa ser ajudado pelos professores na sala de aula.
As principais dificuldades apresentadas pela criança disléxica, de acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), são:
• Demora a aprender a falar, a fazer laço nos sapatos, a reconhecer as horas, a pegar e chutar bola, a pular corda.
• Tem dificuldade para:
- escrever números e letras corretamente;
- ordenar as letras do alfabeto, meses do ano e sílabas de palavras compridas;
- distinguir esquerda e direita.
• Necessita usar blocos, dedos ou anotações para fazer cálculos.
• Apresenta dificuldade incomum para lembrar a tabuada.
• Sua compreensão da leitura é mais lenta do que o esperado para a idade.
• O tempo que leva para fazer as quatro operações aritméticas parece ser mais lento do que se espera para sua idade.
• Demonstra insegurança e baixa apreciação sobre si mesma.
• Confunde-se às vezes com instruções, números de telefones, lugares, horários e datas.
• Atrapalha-se ao pronunciar palavras longas.
• Tem dificuldade em planejar e fazer redações.
O esforço de lutar contra as dificuldades, a censura e a decepção às vezes leva a criança disléxica a manifestar sintomas como dores abdominais, de cabeça ou transtornos de comportamento.
Em geral, ela é considerada relapsa, desatenta, preguiçosa, sem vontade de aprender, o que cria uma situação emocional que tende a se agravar, especialmente em função da injustiça que possa vir a sofrer.
Muitos conflitos e frustrações acompanham o disléxico e sua família, pois, sendo ele normal intelectualmente, as expectativas da família são sempre muito altas.
Reprovações e abandono escolar são ocorrências comuns na vida escolar do disléxico. Existem também conseqüências mais profundas, no nível emocional, como diminuição do autoconceito, reações rebeldes e delinqüenciais, ou de natureza depressiva.
A motivação é muito importante para a criança disléxica, pois, ao se sentir limitada, inferiorizada, ela pode se revoltar e assumir uma atitude de negativismo. Por outro lado, quando se vê compreendida e amparada ganha segurança e vontade de colaborar.
Os disléxicos precisam de tratamento especializado tanto quanto outros deficientes na área de linguagem, mas precisam, e muito, do auxilio do professor.
O professor que deseja ajudar seus alunos, solucionando ou minimizando os problemas de linguagem, sabe que é necessário encaminhá-los para tratamento e colaborar nesse tratamento. Mas ele sabe também que o atendimento gratuito é sujeito a grande espera e que o nível econômico da maioria dos escolares não permite tratamento particular. Reconhece então que só através de um trabalho paciente e constante poderá prestar à criança a ajuda que ela tanto necessita.
Sugestões para ajudar a criança disléxica
Entre as sugestões apresentadas pela Associação Brasileira de Dislexia (ABD), em texto de Marion Welchmann, destacamos:
• Estabelecer horários para refeições, sono, deveres de casa e recreações.
• As roupas do disléxico devem ser arrumadas na seqüência que ele vai vestir para evitar confusões e preocupações à criança (simplificar usando zíper em vez de botões, sapatos e tênis sem cordão e camisetas).
• Quando for ensinar a amarrar os sapatos, não fique de frente para a criança; coloque-se a seu lado, com os braços sobre os ombros dela.
• Como a criança disléxica tem muita dificuldade para saber as horas, marque no relógio, com palavras, as horas das obrigações. Isso evita a preocupação da criança.
• Para as que têm dificuldade com direita e esquerda, uma marca é necessária, Isso pode ser feito com um relógio de pulso, um bracelete ou um botão pregado no bolso do lado favorecido:
• Reforçar a ordem das letras do alfabeto, cantando e dividindo-as em pequenos grupos.
• Ensinar a criança a "sentir" as letras através de diferentes texturas de materiais, como areia, papel, veludo, sabão etc.
• Ler histórias que se encontrem no nível de entendimento da criança.
• Instruir as crianças canhotas precocemente, para evitar que assumam posturas pouco confortáveis e mesmo prejudiciais, como encobrir o papel com a mão ao escrever.
• Providenciar para que a criança use lápis ou caneta grossas, com película de borracha ao redor e que sejam de forma triangular.
• A criança disléxica confunde-se com o volume de palavras e números com que tem de se defrontar. Para evitar isso, arranjar um cartão de aproximadamente 8 cm de comprimento por 2 cm de largura, com uma janela no meio, da largura de uma linha escrita e comprimento de 4 cm. Deslizando o cartão na folha à medida que a criança lê, ele bloqueia o acesso visual para as linhas de baixo e de cima e dirige a atenção da criança da esquerda para a direita.
Fonte: Antônio Manual Morais, Distú
A criança disléxica demonstra sérias dificuldades com a identificação dos símbolos gráficos no inicio da sua alfabetização, o que acarreta fracasso em outras áreas que dependem da leitura e da escrita.
Agora, com mais detalhes vamos enfocar a dislexia como um distúrbio específico do indivíduo em lidar com os símbolos (letras e/ou números), para que esse indivíduo possa ser ajudado pelos professores na sala de aula.
As principais dificuldades apresentadas pela criança disléxica, de acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), são:
• Demora a aprender a falar, a fazer laço nos sapatos, a reconhecer as horas, a pegar e chutar bola, a pular corda.
• Tem dificuldade para:
- escrever números e letras corretamente;
- ordenar as letras do alfabeto, meses do ano e sílabas de palavras compridas;
- distinguir esquerda e direita.
• Necessita usar blocos, dedos ou anotações para fazer cálculos.
• Apresenta dificuldade incomum para lembrar a tabuada.
• Sua compreensão da leitura é mais lenta do que o esperado para a idade.
• O tempo que leva para fazer as quatro operações aritméticas parece ser mais lento do que se espera para sua idade.
• Demonstra insegurança e baixa apreciação sobre si mesma.
• Confunde-se às vezes com instruções, números de telefones, lugares, horários e datas.
• Atrapalha-se ao pronunciar palavras longas.
• Tem dificuldade em planejar e fazer redações.
O esforço de lutar contra as dificuldades, a censura e a decepção às vezes leva a criança disléxica a manifestar sintomas como dores abdominais, de cabeça ou transtornos de comportamento.
Em geral, ela é considerada relapsa, desatenta, preguiçosa, sem vontade de aprender, o que cria uma situação emocional que tende a se agravar, especialmente em função da injustiça que possa vir a sofrer.
Muitos conflitos e frustrações acompanham o disléxico e sua família, pois, sendo ele normal intelectualmente, as expectativas da família são sempre muito altas.
Reprovações e abandono escolar são ocorrências comuns na vida escolar do disléxico. Existem também conseqüências mais profundas, no nível emocional, como diminuição do autoconceito, reações rebeldes e delinqüenciais, ou de natureza depressiva.
A motivação é muito importante para a criança disléxica, pois, ao se sentir limitada, inferiorizada, ela pode se revoltar e assumir uma atitude de negativismo. Por outro lado, quando se vê compreendida e amparada ganha segurança e vontade de colaborar.
Os disléxicos precisam de tratamento especializado tanto quanto outros deficientes na área de linguagem, mas precisam, e muito, do auxilio do professor.
O professor que deseja ajudar seus alunos, solucionando ou minimizando os problemas de linguagem, sabe que é necessário encaminhá-los para tratamento e colaborar nesse tratamento. Mas ele sabe também que o atendimento gratuito é sujeito a grande espera e que o nível econômico da maioria dos escolares não permite tratamento particular. Reconhece então que só através de um trabalho paciente e constante poderá prestar à criança a ajuda que ela tanto necessita.
Sugestões para ajudar a criança disléxica
Entre as sugestões apresentadas pela Associação Brasileira de Dislexia (ABD), em texto de Marion Welchmann, destacamos:
• Estabelecer horários para refeições, sono, deveres de casa e recreações.
• As roupas do disléxico devem ser arrumadas na seqüência que ele vai vestir para evitar confusões e preocupações à criança (simplificar usando zíper em vez de botões, sapatos e tênis sem cordão e camisetas).
• Quando for ensinar a amarrar os sapatos, não fique de frente para a criança; coloque-se a seu lado, com os braços sobre os ombros dela.
• Como a criança disléxica tem muita dificuldade para saber as horas, marque no relógio, com palavras, as horas das obrigações. Isso evita a preocupação da criança.
• Para as que têm dificuldade com direita e esquerda, uma marca é necessária, Isso pode ser feito com um relógio de pulso, um bracelete ou um botão pregado no bolso do lado favorecido:
• Reforçar a ordem das letras do alfabeto, cantando e dividindo-as em pequenos grupos.
• Ensinar a criança a "sentir" as letras através de diferentes texturas de materiais, como areia, papel, veludo, sabão etc.
• Ler histórias que se encontrem no nível de entendimento da criança.
• Instruir as crianças canhotas precocemente, para evitar que assumam posturas pouco confortáveis e mesmo prejudiciais, como encobrir o papel com a mão ao escrever.
• Providenciar para que a criança use lápis ou caneta grossas, com película de borracha ao redor e que sejam de forma triangular.
• A criança disléxica confunde-se com o volume de palavras e números com que tem de se defrontar. Para evitar isso, arranjar um cartão de aproximadamente 8 cm de comprimento por 2 cm de largura, com uma janela no meio, da largura de uma linha escrita e comprimento de 4 cm. Deslizando o cartão na folha à medida que a criança lê, ele bloqueia o acesso visual para as linhas de baixo e de cima e dirige a atenção da criança da esquerda para a direita.
Fonte: Antônio Manual Morais, Distú
Escolas c/ bom convívio têm muito a ensinar
Escolas com bom convívio têm muito a ensinar
Valorizar as relações humanas é fundamental para transformar instituições de ensino em verdadeiras comunidades de aprender.
A Educação Básica é um direito de cada criança e jovem. Quando pensada como só mais um serviço, é frequentemente avaliada pelo seu desempenho, da forma como se julgam ofertas de mercado. Por mais comum que isso seja, é preciso questionar se essa avaliação está levando em conta aspectos essenciais da Educação que, se forem desvalorizados, podem ser também esquecidos. Ao destacar um desses aspectos, a boa convivência entre todos na escola, convido todos os meus colegas a lançar um novo olhar sobre seus espaços de trabalho, para além dos exames convencionais.
Cooperando com unidades de ensino pelo Brasil, tenho encontrado algumas que são referência de vida e de trabalho para seus alunos, ex-alunos e professores e que, sem precisar alardear liderança em classificações - mesmo que as tenham-, são disputadas pelas famílias que as conhecem. Diferentes umas das outras, essas instituições estão em bairros carentes ou de elite, são grandes ou pequenas, públicas ou privadas, mas têm em comum uma característica difícil de mensurar: a qualidade das relações na realização de sua função social, que é ensinar.
O bom convívio é desejável em qualquer atividade, sendo essencial em família, no trabalho, nos esportes ou no trânsito e, portanto, deveria ser valorizado especialmente na Educação. Por isso, procurei identificar nas escolas que me chamam a atenção as condições que contribuem para o melhor relacionamento entre estudantes, educadores, funcionários, famílias e comunidade. Posso mostrar que são relativamente simples, mas nem sempre tão presentes.
Antes de tudo, para um bom convívio, é preciso que haja convívio - o que, por mais óbvio que pareça, nem sempre ocorre. Quando o ensino se resume a treinamento e transferência de informação, as interações entre estudantes chegam a ser evitadas a pretexto de prejudicarem a concentração. O que resta é uma relação de competição entre alunos e de recíproca cobrança entre eles e seus professores. Já se o convívio participativo é promovido nas salas de aula e em atividades de sentido social, artístico, técnico ou científico, o aprendizado se dá em um processo cooperativo, no qual relações de confiança e amizade se estabelecem naturalmente. Isso pode ocorrer por iniciativa de um professor, mas só se generaliza quando há um projeto educativo que promove a convivência de toda a equipe escolar e dos jovens.
Quando são discutidas as responsabilidades de cada um na formação, as regras de convívio não são ignoradas, as relações não se limitam a queixas de comportamento e o exercício de autoridade, quando necessário, é compreendido. Melhor ainda: se os novos alunos, pais e professores forem apresentados pelos que os antecederam à forma com que a escola cumpre suas metas, eles farão parte de um compromisso para enfrentar problemas, e não para reclamar deles.
Para que essa participação prossiga ao longo do ano letivo, é preciso fazer consultas, mediar conflitos e rever percursos, o que se realiza com corresponsabilidade, especialmente nos conselhos de classe e de escola. Neles, professores, coordenadores e representantes das famílias - e, dependendo da etapa escolar, também de alunos - acompanham resultados e discutem problemas. Podem fazer isso ainda melhor quando apoiados por grupos de trabalho dedicados, por exemplo, ao reforço na aprendizagem e à orientação educacional ou a atividades sociais, culturais e de relacionamento com o bairro. Com isso, toda a coletividade escolar se desenvolve continuamente em instituições que não são fábricas de ensinar, mas comunidades de aprender. Nelas se estudam línguas, humanidades, matemática, Arte, Ciências e, não menos importante, se exercita o bom convívio.
Valorizar as relações humanas é fundamental para transformar instituições de ensino em verdadeiras comunidades de aprender.
A Educação Básica é um direito de cada criança e jovem. Quando pensada como só mais um serviço, é frequentemente avaliada pelo seu desempenho, da forma como se julgam ofertas de mercado. Por mais comum que isso seja, é preciso questionar se essa avaliação está levando em conta aspectos essenciais da Educação que, se forem desvalorizados, podem ser também esquecidos. Ao destacar um desses aspectos, a boa convivência entre todos na escola, convido todos os meus colegas a lançar um novo olhar sobre seus espaços de trabalho, para além dos exames convencionais.
Cooperando com unidades de ensino pelo Brasil, tenho encontrado algumas que são referência de vida e de trabalho para seus alunos, ex-alunos e professores e que, sem precisar alardear liderança em classificações - mesmo que as tenham-, são disputadas pelas famílias que as conhecem. Diferentes umas das outras, essas instituições estão em bairros carentes ou de elite, são grandes ou pequenas, públicas ou privadas, mas têm em comum uma característica difícil de mensurar: a qualidade das relações na realização de sua função social, que é ensinar.
O bom convívio é desejável em qualquer atividade, sendo essencial em família, no trabalho, nos esportes ou no trânsito e, portanto, deveria ser valorizado especialmente na Educação. Por isso, procurei identificar nas escolas que me chamam a atenção as condições que contribuem para o melhor relacionamento entre estudantes, educadores, funcionários, famílias e comunidade. Posso mostrar que são relativamente simples, mas nem sempre tão presentes.
Antes de tudo, para um bom convívio, é preciso que haja convívio - o que, por mais óbvio que pareça, nem sempre ocorre. Quando o ensino se resume a treinamento e transferência de informação, as interações entre estudantes chegam a ser evitadas a pretexto de prejudicarem a concentração. O que resta é uma relação de competição entre alunos e de recíproca cobrança entre eles e seus professores. Já se o convívio participativo é promovido nas salas de aula e em atividades de sentido social, artístico, técnico ou científico, o aprendizado se dá em um processo cooperativo, no qual relações de confiança e amizade se estabelecem naturalmente. Isso pode ocorrer por iniciativa de um professor, mas só se generaliza quando há um projeto educativo que promove a convivência de toda a equipe escolar e dos jovens.
Quando são discutidas as responsabilidades de cada um na formação, as regras de convívio não são ignoradas, as relações não se limitam a queixas de comportamento e o exercício de autoridade, quando necessário, é compreendido. Melhor ainda: se os novos alunos, pais e professores forem apresentados pelos que os antecederam à forma com que a escola cumpre suas metas, eles farão parte de um compromisso para enfrentar problemas, e não para reclamar deles.
Para que essa participação prossiga ao longo do ano letivo, é preciso fazer consultas, mediar conflitos e rever percursos, o que se realiza com corresponsabilidade, especialmente nos conselhos de classe e de escola. Neles, professores, coordenadores e representantes das famílias - e, dependendo da etapa escolar, também de alunos - acompanham resultados e discutem problemas. Podem fazer isso ainda melhor quando apoiados por grupos de trabalho dedicados, por exemplo, ao reforço na aprendizagem e à orientação educacional ou a atividades sociais, culturais e de relacionamento com o bairro. Com isso, toda a coletividade escolar se desenvolve continuamente em instituições que não são fábricas de ensinar, mas comunidades de aprender. Nelas se estudam línguas, humanidades, matemática, Arte, Ciências e, não menos importante, se exercita o bom convívio.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
ESPAÇOS ALTERNATIVOS
Espaços alternativos capazes de contribuir para que a pessoa com necessidades especiais se realize como ser humano
Os seus objetivos principais é oferecer às pessoas com necessidades especiais um espaço alternativo para a exploração do prazer de brincar, cantar, conhecer, enfim, de pesquisar o mundo em suas diferentes possibilidades e, também, promover educação que favoreça o desenvolvimento integral da pessoa humana, independentemente dos limites apresentados por diferentes fatores, bem como proporcionar um espaço alternativo capaz de contribuir para que a pessoa com necessidades especiais se realize como ser humano.
Os espaços alternativos estão organizados para desenvolver conteúdos específicos. No espaço de artes plásticas, trabalha-se a leitura dos objetivos e da realidade, caracterizando formas e espaços (posição, proporção e movimento), além da valorização do saber estético quanto aos elementos visuais (forma, cor, linha, textura).
Objetivo desse espaço:
“Levar a criança a conhecer, compreender e expressar o mundo humanizado, pelo domínio de diferentes linguagens artísticas; desenvolver a sensibilidade, a imaginação e a capacidade de auto-expressão; identificar as diferentes formas de expressão artísticas como resultado da ação conjunta do fazer, do pensar e do olhar”. (UEM, 1995, p.28-29).
Os conteúdos do espaço de música e teatro voltaram-se para o relaxamento, desenvolvimento do senso estético e musicalização por meio de jogos, canto, parlendas, grupos de percussão, ritmo corporal, improvisação e bandinha rítmica.
Eles têm por objetivo: ”Contribuir para o desenvolvimento da criança com necessidade especiais”.
Fonte: Revista Escola.
Os seus objetivos principais é oferecer às pessoas com necessidades especiais um espaço alternativo para a exploração do prazer de brincar, cantar, conhecer, enfim, de pesquisar o mundo em suas diferentes possibilidades e, também, promover educação que favoreça o desenvolvimento integral da pessoa humana, independentemente dos limites apresentados por diferentes fatores, bem como proporcionar um espaço alternativo capaz de contribuir para que a pessoa com necessidades especiais se realize como ser humano.
Os espaços alternativos estão organizados para desenvolver conteúdos específicos. No espaço de artes plásticas, trabalha-se a leitura dos objetivos e da realidade, caracterizando formas e espaços (posição, proporção e movimento), além da valorização do saber estético quanto aos elementos visuais (forma, cor, linha, textura).
Objetivo desse espaço:
“Levar a criança a conhecer, compreender e expressar o mundo humanizado, pelo domínio de diferentes linguagens artísticas; desenvolver a sensibilidade, a imaginação e a capacidade de auto-expressão; identificar as diferentes formas de expressão artísticas como resultado da ação conjunta do fazer, do pensar e do olhar”. (UEM, 1995, p.28-29).
Os conteúdos do espaço de música e teatro voltaram-se para o relaxamento, desenvolvimento do senso estético e musicalização por meio de jogos, canto, parlendas, grupos de percussão, ritmo corporal, improvisação e bandinha rítmica.
Eles têm por objetivo: ”Contribuir para o desenvolvimento da criança com necessidade especiais”.
Fonte: Revista Escola.
DIFICULDADES na LEITURA ORAL
Dificuldades na leitura oral (Disléxico)
A leitura oral abrange tanto a visão quanto a audição da criança, pois ela precisa perceber as informações que seu cérebro processará. Se um desses dois canais estiver recebendo a informação de maneira distorcida, a criança apresentará distúrbios na leitura, devido a dificuldades de percepção visual ou auditiva,
Dificuldades de discriminação visual
Existem dois tipos de problemas ligados à discriminação visual: a criança pode apresentar um defeito de visão (corrigível com o uso de lentes apropriadas) ou uma incapacidade para diferenciar, interpretar ou recordar palavras, devido a uma disfunção do sistema nervoso central. Caso ela não se enquadre nos dois casos acima citados, poderá ainda apresentar dificuldades de discriminação visual no início da alfabetização, por falta de estímulo dessa habilidade na época pré-escolar.
Entre as dificuldades de discriminação visual destacamos:
• Confusão de letras ou palavras semelhantes: a criança não nota detalhes, não consegue ver configurações gerais. Exemplo: bola e bolo; folha e falha.
• Dificuldade no ritmo da leitura: a criança percebe a palavra quando ela é mostrada lentamente, mas não consegue ler as palavras mostradas com rapidez.
• Reversão: troca o b pelo d; o p pelo q. Exemplo: bebo, a criança lê "dedo".
• Inversão: lê o u em lugar do n; o p em lugar do b. Exemplo: pouco/ponco; pala/bala.
• Dificuldade em seguir seqüências visuais: a criança lê a palavra, mas quando é pedido para organizá-la em sílabas ou letras, erra a ordem e a soletração. Exemplo: ave - "vea".
• Dificuldade em ler da esquerda para a direita: a criança não respeita o sentido correto da leitura, o que resulta na escrita especular ou em espelho. Exemplo: tatu - "utat".
• Adição: a criança lê frases adicionando palavras que não estavam no texto. Exemplo:
O menino é grande.
O menino é bem grande.
• Omissão: lê omitindo palavras ou frases inteiras. Exemplo:
O vestido vermelho da menina é bonito.
O vestido é bonito.
• Repetição: repete palavras, linhas e parágrafos. Exemplo:
Eu vi um lindo cachorro no parque.
Eu vi um lindo lindo cachorro no parque.
• Substituição:. troca as palavras, mantendo ou alterando ,o significado da frase. Exemplos:
A menina vestiu a blusa.
A menina colocou a blusa.
O gato subiu no muro.
O gato fugiu no muro.
• Agregação: lê acrescentando letras às palavras. Exemplo: caderneta - "carderneta".I
Dificuldades de discriminação auditiva
Envolvem os problemas auditivos relacionados com as dificuldades em discriminar os sons, sobretudo aqueles que estão acusticamente muito próximos uns dos outros e que, por terem os pontos de articulação quase iguais, levam a criança a confundir os fonemas, como em vaca e faca.
Na leitura, as dificuldades de discriminação auditiva constatadas mais freqüentemente são:
• Troca de consoante surda por sonora: f/v; p/b; ch/j; t/d; s/z; c/g. Exemplo: cama - gama.
• Troca de vogal oral por nasal: an/a; en/e; in/i; on/o; um/u. Exemplo: acendeu --: acedeu.
• Pontuação ausente ou inadequada.
• Elocução hesitante ou inexpressiva.
• Incapacidade para ouvir sons iniciais ou finais das palavras. Exemplo: a palavra é dia e a criança ouve "deu".
• Análise e síntese auditiva deficientes: a criança não é capaz de separar uma palavra em sílabas ou em sons individuais e juntá-los na formação de outras palavras.
Dificuldades na leitura silenciosa / dislexia
Leitura silenciosa é o ato de ler frente à uma estimulação escrita, mantendo o corpo na mesma posição, sem movimentar os lábios, usando apenas os olhos como elementos indicadores.
As dificuldades mais comuns nesse tipo de leitura são:
• Lentidão no ler, acompanhada de dispersão.
• Leitura subvocal (cochichada), através da emissão ou não dos sons.
• Necessidade de apontar as palavras com lápis, régua ou dedo.
• Perda da linha durante a leitura, chegando a ocorrer salto de linhas.
• Repetição da mesma frase ou palavra várias vezes.
Dificuldades na compreensão da leitura/ dislexia
Compreender o que se lê quer dizer perceber integralmente o significado do que está escrito ou do que está sendo falado (ouvido).
A compreensão da leitura pode acontecer em três níveis, como afirma Morais:
Literal - engloba a compreensão das idéias propostas no texto.
Inferencial - pressupõe a análise das idéias que não estão contidas no texto, baseada na experiência do leitor.
Critico - comparação das idéias do autor com os referenciais internos do leitor.
As dificuldades de compreensão da leitura são ocasionadas por:
• Problemas relacionados à velocidade, pois a leitura silabada impede a retenção do texto, mais que a leitura fluente.
• Deficiência de vocabulário oral e visual, o que impede uma perfeita compreensão, visto que o leitor não consegue ter uma visão global do texto lido.
• Utilização inadequada dos sinais de pontuação, que reduz a velocidade da leitura e pode provocar uma interferência no significado do que está sendo lido.
• Incapacidade para seguir instruções, tirar conclusões e reter idéias, aplicando-as e integrando-as à própria vivência anterior
Fonte: Antonio Manuel Pamplona Morais, Distúrbios da aprendizagem; uma abordagem psicopedagógica
A leitura oral abrange tanto a visão quanto a audição da criança, pois ela precisa perceber as informações que seu cérebro processará. Se um desses dois canais estiver recebendo a informação de maneira distorcida, a criança apresentará distúrbios na leitura, devido a dificuldades de percepção visual ou auditiva,
Dificuldades de discriminação visual
Existem dois tipos de problemas ligados à discriminação visual: a criança pode apresentar um defeito de visão (corrigível com o uso de lentes apropriadas) ou uma incapacidade para diferenciar, interpretar ou recordar palavras, devido a uma disfunção do sistema nervoso central. Caso ela não se enquadre nos dois casos acima citados, poderá ainda apresentar dificuldades de discriminação visual no início da alfabetização, por falta de estímulo dessa habilidade na época pré-escolar.
Entre as dificuldades de discriminação visual destacamos:
• Confusão de letras ou palavras semelhantes: a criança não nota detalhes, não consegue ver configurações gerais. Exemplo: bola e bolo; folha e falha.
• Dificuldade no ritmo da leitura: a criança percebe a palavra quando ela é mostrada lentamente, mas não consegue ler as palavras mostradas com rapidez.
• Reversão: troca o b pelo d; o p pelo q. Exemplo: bebo, a criança lê "dedo".
• Inversão: lê o u em lugar do n; o p em lugar do b. Exemplo: pouco/ponco; pala/bala.
• Dificuldade em seguir seqüências visuais: a criança lê a palavra, mas quando é pedido para organizá-la em sílabas ou letras, erra a ordem e a soletração. Exemplo: ave - "vea".
• Dificuldade em ler da esquerda para a direita: a criança não respeita o sentido correto da leitura, o que resulta na escrita especular ou em espelho. Exemplo: tatu - "utat".
• Adição: a criança lê frases adicionando palavras que não estavam no texto. Exemplo:
O menino é grande.
O menino é bem grande.
• Omissão: lê omitindo palavras ou frases inteiras. Exemplo:
O vestido vermelho da menina é bonito.
O vestido é bonito.
• Repetição: repete palavras, linhas e parágrafos. Exemplo:
Eu vi um lindo cachorro no parque.
Eu vi um lindo lindo cachorro no parque.
• Substituição:. troca as palavras, mantendo ou alterando ,o significado da frase. Exemplos:
A menina vestiu a blusa.
A menina colocou a blusa.
O gato subiu no muro.
O gato fugiu no muro.
• Agregação: lê acrescentando letras às palavras. Exemplo: caderneta - "carderneta".I
Dificuldades de discriminação auditiva
Envolvem os problemas auditivos relacionados com as dificuldades em discriminar os sons, sobretudo aqueles que estão acusticamente muito próximos uns dos outros e que, por terem os pontos de articulação quase iguais, levam a criança a confundir os fonemas, como em vaca e faca.
Na leitura, as dificuldades de discriminação auditiva constatadas mais freqüentemente são:
• Troca de consoante surda por sonora: f/v; p/b; ch/j; t/d; s/z; c/g. Exemplo: cama - gama.
• Troca de vogal oral por nasal: an/a; en/e; in/i; on/o; um/u. Exemplo: acendeu --: acedeu.
• Pontuação ausente ou inadequada.
• Elocução hesitante ou inexpressiva.
• Incapacidade para ouvir sons iniciais ou finais das palavras. Exemplo: a palavra é dia e a criança ouve "deu".
• Análise e síntese auditiva deficientes: a criança não é capaz de separar uma palavra em sílabas ou em sons individuais e juntá-los na formação de outras palavras.
Dificuldades na leitura silenciosa / dislexia
Leitura silenciosa é o ato de ler frente à uma estimulação escrita, mantendo o corpo na mesma posição, sem movimentar os lábios, usando apenas os olhos como elementos indicadores.
As dificuldades mais comuns nesse tipo de leitura são:
• Lentidão no ler, acompanhada de dispersão.
• Leitura subvocal (cochichada), através da emissão ou não dos sons.
• Necessidade de apontar as palavras com lápis, régua ou dedo.
• Perda da linha durante a leitura, chegando a ocorrer salto de linhas.
• Repetição da mesma frase ou palavra várias vezes.
Dificuldades na compreensão da leitura/ dislexia
Compreender o que se lê quer dizer perceber integralmente o significado do que está escrito ou do que está sendo falado (ouvido).
A compreensão da leitura pode acontecer em três níveis, como afirma Morais:
Literal - engloba a compreensão das idéias propostas no texto.
Inferencial - pressupõe a análise das idéias que não estão contidas no texto, baseada na experiência do leitor.
Critico - comparação das idéias do autor com os referenciais internos do leitor.
As dificuldades de compreensão da leitura são ocasionadas por:
• Problemas relacionados à velocidade, pois a leitura silabada impede a retenção do texto, mais que a leitura fluente.
• Deficiência de vocabulário oral e visual, o que impede uma perfeita compreensão, visto que o leitor não consegue ter uma visão global do texto lido.
• Utilização inadequada dos sinais de pontuação, que reduz a velocidade da leitura e pode provocar uma interferência no significado do que está sendo lido.
• Incapacidade para seguir instruções, tirar conclusões e reter idéias, aplicando-as e integrando-as à própria vivência anterior
Fonte: Antonio Manuel Pamplona Morais, Distúrbios da aprendizagem; uma abordagem psicopedagógica
quinta-feira, 30 de junho de 2011
PROPOSTAS DE TRABALHOS p/ os DISLÉXICOS
DISLEXIA
A dislexia é um distúrbio de origem neurológica, congênito e hereditário, comum apresentar em parentes próximos. A dislexia mostra-se evidente na época da alfabetização, pois aparecem as dificuldades no processo de leitura, escrita, soletração e ortografia. Mas, outros sintomas ocorrem em fases anteriores à alfabetização, freqüentemente os pais percebem seu filho “diferente”; a criança pode apresentar um atraso na aquisição e uso da linguagem falada, mas freqüentemente, a família não valoriza esse sinal e conseqüentemente essa conduta atrasa o processo terapêutico adequado.
A dislexia independe de causas intelectuais, emocionais e culturais, a criança disléxica falha no processo de aquisição de linguagem, ocorre uma discrepância inesperada entre o seu potencial para aprender e seu desempenho escolar.
O diagnóstico de dislexia é feito por equipe multidisciplinar uma vez que, o mesmo é realizado por exclusão, pois na maioria das vezes os exames clínicos convencionais apresentam resultados dentro da normalidade.
O disléxico tratado adequadamente controla a dispersão, desenvolve a atenção e a disciplina, que são fatores fundamentais para o seu sucesso e êxito nas habilidades de linguagem e escolares. Os pontos positivos do disléxico devem ser exaltados, alguns exemplos: ótimo nível intelectual, criatividade acima do esperado, bom humor, fácil socialização, facilidade em quebrar paradigmas, genialidade, inventividade, aptidões intuitivas e artísticas, habilidade em lidar com múltiplas situações ao mesmo tempo, em alguns casos o disléxico apresenta facilidade em cálculos ou muita dificuldade resultando em Discalculia (que pode vir acompanhada da Dislexia).
Como todos transtornos de aprendizagem na leitura e escrita, requer um bom diagnóstico, para um tratamento adequado e um prognóstico satisfatório para família e criança, é preciso conhecer as terminologias e adequar-se a elas.
Dislexia, refere-se ao distúrbio específico no aprendizado de leitura e escrita;
Disgrafia, a ocorrência de trocas, omissões, aglutinações, transtornos sintáticos-semânticos da língua;
Disortografia, refere-se a incapacidade motora fina e habilidades de lidar com espaços (linhas), e todas distorções léxicas de linguagem;
Discalculia, a incapacidade e dificuldade com raciocínio lógico matemático, em fazer cálculos simples até a compreensão complexa das propostas matemáticas.
Quando realizado diagnóstico multidisciplinar; priorizar tratamento e focar as dificuldades, utilizando suas habilidades para o alcance de êxito nas terapias propostas.
A família, escola, e o próprio individuo deve ter conhecimento do seu diagnóstico e tratamento, pois em equipe com a mesma linguagem, o resultado será satisfatório.
Sugestões e Conduta para Escola:
- Orientar professor a utilizar um combinado multisenssorial: visão, audição e tato, e estratégias como:
- Relógio digital;
- Calculadora;
- Gravador;
- Confecção do próprio material de alfabetização;
- Usar gravuras e fotografias, pois a imagem é essencial para a sua aprendizagem;
- Folhas quadriculadas para a matemática;
- Máscara para leitura de texto;
- Letras com várias texturas;
Algumas Atitudes Éticas Elevam a Auto-Estima dos Educandos que Apresentam Dislexia e Disgrafia:
- Evitar menospreza-los diante dos amigos não os forçando a ler em voz alta nem dizendo seus erros ou suas notas baixas para que todos escutem;
- Rever falas e mensagens constantemente;
- Ser paciente quando estiverem copiando do quadro ou fazendo alguma avaliação, dando-lhe mais tempo do que aos outros e estimulando-os;
- Ao ler palavras longas, ensine-os a separa-la com a ponta do lápis;
- Usar sempre uma linguagem clara e, em línguas estrangeiras, utilizar trabalhos e pesquisa, pois eles têm ainda mais dificuldade;
Propostas Terapêuticas para Equipe Multidisciplinar:
Intencionado em colaborar no tratamento desses distúrbios, Valett propôs algumas atividades relevantes a serem realizadas em sala de aula, tais como:
- Imitar ações: sentar, levantar, tocar o nariz, orelhas, boca, bater os pés, bater palmas, etc;
- Imitar ações e sons: bater palmas e dizer e dizer BANG, tocar tambor e falar BUM;
- Imitar sons: de animais, iniciando por sons simples como os do gato, cachorro, vaca, cabra, indo gradativamente para sons mais complexos como os do cavalo, leão, tigre, etc;
- Ditado mudo: apresentar gravuras do dia a dia e pedir que a criança escreva as palavras correspondentes às gravuras;
- Jogos ativos e marchas rítmicas: incluir sons;
- Analisar palavras foneticamente: identificar palavras através de sons vocálicos ou consonantais;
- Trabalhar com rimas: cantigas infantis, recitar rimas e poesias, trva-língua, charadas, etc;
- Histórias em rodízio: o professor inicia uma história e os demais alunos vão continuando um a um;
- Envolver os alunos em atividades complexas: confecção de murais artísticos, encenação de peças teatrais, descrição de envolvimentos em situações ou eventos globais;
- Trabalhar com histórias em quadrinhos: através de recortes de revistas ou desenhos próprios os alunos poderão elaborar histórias orais e escritas seqüencialmente;
- Jogos de quebra-cabeça em seqüência;
- Copiar e escrever palavras soletradas de memória através de palavras cruzadas;
- Desenhos e pinturas livres ou sugestionados;
Algumas Dicas de como os Pais Podem Ajudar seus Filhos:
- Descobrir sua habilidade e investir com dedicação;
- Diminuir a ansiedade. Procurar mais informações sobre dislexia;
- Manter a auto-estima da criança;
- Escolher um objetivo e uma alternativa de tratamento;
- Auxiliar a criança nos tratamentos necessários: fonoaudiológico, psicopedagógico, e atividades escolares;
- Traçar prioridades e objetivos a curto prazo;
- Falar abertamente com a criança sobre suas dificuldades e a necessidade de empenho;
- Respeitar o tempo de aprendizagem da criança;
- Colocar limites e disciplina nos estudos e na vida.
- Não comparar a criança com outras;
Quanto aos pais, cabe o apoio em procurar ajuda profissional de Fonoaudiólogos, Psicólogos, Neurologistas e Psicopedagogos. Devem ainda encoraja-los a possuir outras atividades fora do colégio como a prática de esportes, cursos de música, fotografia, desenho, etc. Um alerta aos pais é não permitir que suas dificuldades impliquem em um mal comportamento e na falta de limites.
Autoras:
Simony Gomes de Almeida Rezende Fonoaudióloga
Lana Cristina de Paula Bianchi Fonoaudióloga
A dislexia é um distúrbio de origem neurológica, congênito e hereditário, comum apresentar em parentes próximos. A dislexia mostra-se evidente na época da alfabetização, pois aparecem as dificuldades no processo de leitura, escrita, soletração e ortografia. Mas, outros sintomas ocorrem em fases anteriores à alfabetização, freqüentemente os pais percebem seu filho “diferente”; a criança pode apresentar um atraso na aquisição e uso da linguagem falada, mas freqüentemente, a família não valoriza esse sinal e conseqüentemente essa conduta atrasa o processo terapêutico adequado.
A dislexia independe de causas intelectuais, emocionais e culturais, a criança disléxica falha no processo de aquisição de linguagem, ocorre uma discrepância inesperada entre o seu potencial para aprender e seu desempenho escolar.
O diagnóstico de dislexia é feito por equipe multidisciplinar uma vez que, o mesmo é realizado por exclusão, pois na maioria das vezes os exames clínicos convencionais apresentam resultados dentro da normalidade.
O disléxico tratado adequadamente controla a dispersão, desenvolve a atenção e a disciplina, que são fatores fundamentais para o seu sucesso e êxito nas habilidades de linguagem e escolares. Os pontos positivos do disléxico devem ser exaltados, alguns exemplos: ótimo nível intelectual, criatividade acima do esperado, bom humor, fácil socialização, facilidade em quebrar paradigmas, genialidade, inventividade, aptidões intuitivas e artísticas, habilidade em lidar com múltiplas situações ao mesmo tempo, em alguns casos o disléxico apresenta facilidade em cálculos ou muita dificuldade resultando em Discalculia (que pode vir acompanhada da Dislexia).
Como todos transtornos de aprendizagem na leitura e escrita, requer um bom diagnóstico, para um tratamento adequado e um prognóstico satisfatório para família e criança, é preciso conhecer as terminologias e adequar-se a elas.
Dislexia, refere-se ao distúrbio específico no aprendizado de leitura e escrita;
Disgrafia, a ocorrência de trocas, omissões, aglutinações, transtornos sintáticos-semânticos da língua;
Disortografia, refere-se a incapacidade motora fina e habilidades de lidar com espaços (linhas), e todas distorções léxicas de linguagem;
Discalculia, a incapacidade e dificuldade com raciocínio lógico matemático, em fazer cálculos simples até a compreensão complexa das propostas matemáticas.
Quando realizado diagnóstico multidisciplinar; priorizar tratamento e focar as dificuldades, utilizando suas habilidades para o alcance de êxito nas terapias propostas.
A família, escola, e o próprio individuo deve ter conhecimento do seu diagnóstico e tratamento, pois em equipe com a mesma linguagem, o resultado será satisfatório.
Sugestões e Conduta para Escola:
- Orientar professor a utilizar um combinado multisenssorial: visão, audição e tato, e estratégias como:
- Relógio digital;
- Calculadora;
- Gravador;
- Confecção do próprio material de alfabetização;
- Usar gravuras e fotografias, pois a imagem é essencial para a sua aprendizagem;
- Folhas quadriculadas para a matemática;
- Máscara para leitura de texto;
- Letras com várias texturas;
Algumas Atitudes Éticas Elevam a Auto-Estima dos Educandos que Apresentam Dislexia e Disgrafia:
- Evitar menospreza-los diante dos amigos não os forçando a ler em voz alta nem dizendo seus erros ou suas notas baixas para que todos escutem;
- Rever falas e mensagens constantemente;
- Ser paciente quando estiverem copiando do quadro ou fazendo alguma avaliação, dando-lhe mais tempo do que aos outros e estimulando-os;
- Ao ler palavras longas, ensine-os a separa-la com a ponta do lápis;
- Usar sempre uma linguagem clara e, em línguas estrangeiras, utilizar trabalhos e pesquisa, pois eles têm ainda mais dificuldade;
Propostas Terapêuticas para Equipe Multidisciplinar:
Intencionado em colaborar no tratamento desses distúrbios, Valett propôs algumas atividades relevantes a serem realizadas em sala de aula, tais como:
- Imitar ações: sentar, levantar, tocar o nariz, orelhas, boca, bater os pés, bater palmas, etc;
- Imitar ações e sons: bater palmas e dizer e dizer BANG, tocar tambor e falar BUM;
- Imitar sons: de animais, iniciando por sons simples como os do gato, cachorro, vaca, cabra, indo gradativamente para sons mais complexos como os do cavalo, leão, tigre, etc;
- Ditado mudo: apresentar gravuras do dia a dia e pedir que a criança escreva as palavras correspondentes às gravuras;
- Jogos ativos e marchas rítmicas: incluir sons;
- Analisar palavras foneticamente: identificar palavras através de sons vocálicos ou consonantais;
- Trabalhar com rimas: cantigas infantis, recitar rimas e poesias, trva-língua, charadas, etc;
- Histórias em rodízio: o professor inicia uma história e os demais alunos vão continuando um a um;
- Envolver os alunos em atividades complexas: confecção de murais artísticos, encenação de peças teatrais, descrição de envolvimentos em situações ou eventos globais;
- Trabalhar com histórias em quadrinhos: através de recortes de revistas ou desenhos próprios os alunos poderão elaborar histórias orais e escritas seqüencialmente;
- Jogos de quebra-cabeça em seqüência;
- Copiar e escrever palavras soletradas de memória através de palavras cruzadas;
- Desenhos e pinturas livres ou sugestionados;
Algumas Dicas de como os Pais Podem Ajudar seus Filhos:
- Descobrir sua habilidade e investir com dedicação;
- Diminuir a ansiedade. Procurar mais informações sobre dislexia;
- Manter a auto-estima da criança;
- Escolher um objetivo e uma alternativa de tratamento;
- Auxiliar a criança nos tratamentos necessários: fonoaudiológico, psicopedagógico, e atividades escolares;
- Traçar prioridades e objetivos a curto prazo;
- Falar abertamente com a criança sobre suas dificuldades e a necessidade de empenho;
- Respeitar o tempo de aprendizagem da criança;
- Colocar limites e disciplina nos estudos e na vida.
- Não comparar a criança com outras;
Quanto aos pais, cabe o apoio em procurar ajuda profissional de Fonoaudiólogos, Psicólogos, Neurologistas e Psicopedagogos. Devem ainda encoraja-los a possuir outras atividades fora do colégio como a prática de esportes, cursos de música, fotografia, desenho, etc. Um alerta aos pais é não permitir que suas dificuldades impliquem em um mal comportamento e na falta de limites.
Autoras:
Simony Gomes de Almeida Rezende Fonoaudióloga
Lana Cristina de Paula Bianchi Fonoaudióloga
DISLEXIA NO ADULTO
A DISLEXIA NO ADULTO, SUA EVOLUÇÃO E CONSEQUÊNCIAS
Fala-se muito mais sobre dislexia hoje que há alguns poucos anos. O conhecimento atual evoluiu, sobretudo com as descobertas das neurociências sobre como se dá a aquisição da leitura e escrita e sobre as funções cerebrais durante a leitura. Através das neuroimagens, hoje sabemos como se processam as rotas neurais do disléxico
durante a leitura e no que se diferenciam do leitor comum. Os dados clínicos que dispomos sobre o disléxico, acompanhados da infância até a idade adulta, demonstram um quadro de evolução dos sinais da dislexia ao longo da vida do portador. Essa evolução ocorre porque embora alguns déficits fonológicos e visuais permaneçam, o disléxico é dotado de inteligência normal ou superior - e freqüentemente desenvolve estratégias compensatórias em seu processo de aprendizagem, ainda que lide com algumas limitações.
Um adulto inteligente com dificuldades de leitura convive com uma discrepância bastante significativa entre sua potencialidade e esforço, em detrimento dos resultados escolares obtidos ao longo de sua vida acadêmica, além de prejuízos em sua formação como um todo, decorrendo em sérios comprometimentos em sua vida pessoal, emociona e profissional.
Um quadro de dislexia no adulto costuma ser identificado através da anamnese. Sua história denota sinais indicadores do transtorno desde a fase pré- escolar, tais como atraso na aquisição da fala, trocas orais e/ou migrações de letras não esperadas pela faixa etária. Também são comuns dificuldades para nomear objetos, vocabulário pobre, dificuldade para aprender brincadeiras e cantigas infantis, principalmente quando evolvem rimas e aliterações.
É comum entre as crianças disléxicas o uso que fazem de palavras substitutas ou imprecisas, bem como confusão no uso de palavras que indicam direcionamento (dentro, fora, etc.). Apresentam-se, por outro lado, extremamente inteligentes, criativos e com aptidão para desmontar e construir brinquedos. Outro dado fundamental a ser rastreado é se os antecedentes familiares deflagraram dificuldades escolares ao longo de suas vidas acadêmicas, uma vez que já está comprovada a influência genética do distúrbio.
Na fase escolar, da primeira à quinta série, observam-se sinais mais claros e sugestivos da dislexia, como lentidão para aprender a ler ou mesmo dificuldades para acompanhar o início da escrita. Eles denotam dificuldades para memorizar o traçado das letras, não conseguem relacioná-las a contento com suas representações sonoras, decorrendo em trocas visuais (a/e/o, m/n/w, d/b, q/g) e auditivas (f/v, d/t, ch/j, b/p), em migrações de letras ou sílabas (“secada”/escada) não esperadas pela idade e série.
Apresentam dificuldades para soletrar as palavras e demonstram dificuldade acentuada para perceber a sílaba tônica das mesmas. Nota-se o esforço para a leitura da palavra isolada e principalmente de pseudopalavras (palavras inventadas), a pronúncia dificultosa de partes das palavras, bem como dificuldade para decorar as pronúncias e os significados de palavras novas ou não frequentes, o que os obriga à exaustiva repetição para decodificar e acessar o som e o significado das palavras.
Como se vê, há um padrão de evidências básicas que denotam deficiências no défict fonológico, além de questões de ineficiências relativas aos aspectos do processamento visual, que são fundamentais para a aquisição das habilidades da leitura e escrita. Esse padrão pontuado pelo portador da dislexia no decorrer de sua vida acaba se evidenciando ao longo das avaliações fonoaudiológica, psicopedagógica e neuropsicológica. Devemos ter em mente, entretanto que todo indivíduo possui suas especificidades, o que também se aplica aos seus processos individuais de aprendizagem.
Os sinais se modificam a partir da sexta série, na medida em que o aluno tendo a automatizar a decodificação da leitura e a codificação da escrita, mas sempre de forma mais custosa e lenta que seus colegas. A ineficiência na leitura neste período é mais evidente no quesito compreensão: o disléxico se queixa de não entender o que lê, apresentando dificuldades para acompanhar sua classe, por lhe faltarem as ferramentas básicas para edificar sua educação formal, para desenvolver suas competências cognitivas.
A partir daí, o processo tende a se agravar continuamente, em um círculo vicioso. Como não possui o hábito de ler, sobretudo pela dificuldade de compreensão, seu vocabulário tende a ser escasso, seu arquivo pessoal de conhecimentos pobre e o portador de dislexia se limita cada vez mais à produção de textos, em uma esforço natural para evitar o confronto com suas dificuldades e as críticas de pais, colegas e professores.
O adulto disléxico, do ensino médio até os bancos universitários, continuará desempenhando uma leitura mais lenta como sintoma principal, denotando uma automatização sim, mas não suficiente para a demanda da sua faixa etária e acadêmica. Apresentará real dificuldade para compreender o conteúdo lido, necessitando de várias leituras do mesmo texto ou que leiam para ele para entendê-lo.
A leitura oral tende a adquirir mais fluência, embora com entonação deficitária, sobretudo na prosódia e nas modulações. Apresenta pausas pela decodificação de palavras menos usuais, muito embora, exceto casos mais graves, já não se evidenciem as trocas severas da infância e adolescência. Hoje se sabe que o adulto disléxico não adquire a estratégia do “bom leitor”: a leitura interativa, que se apóia no significado do conteúdo expresso que o possibilitaria ler fazendo antecipações e verificações de hipóteses, dispondo de autorregulação mediada.
A lentidão decorre do fato de não ter o processo automatizado e por utilizar rotas neurais diferentes do leitor comum, que demandam tempo e esforço maior para atingir o mesmo objetivo. A compreensão normalmente ocorre pela ineficiência da leitura oral ou pelos problemas secundários adquiridos pela própria falta do hábito de leitura: a pobreza de vocabulário, pouco arquivo pessoal e pela ineficiente evolução do raciocínio crítico e interpretativo.
Na escrita, o disléxico adulto demonstra aquisição do código, mas possui dificuldades para se expressar adequadamente através desse código. Redigir é uma tarefa árdua, em que se sobressaem deficiência na utilização da linguagem formal que a vida adulta exige, tais como textos exíguos e muitas vezes pueris. O manejo formal é insatisfatório, não há alinhamento de margens, paragrafação e pontuação adequada. A ortografia é deficiente ao grafar palavras menos frequentes e que requerem múltiplas associações, apresentando trocas pedagógicas como s/c/ ss; c/ç; s/sc; ch/x; j/g etc.
Este é o panorama do quadro do disléxico adulto. Ele contará sobre um histórico de leitura e escrita sempre árduo e deficiente, sobre dificuldades escolares que vão se acumulando ao longo de sua vida, sobre aulas particulares que não supriram suas deficiências. Contará sobre resultados insatisfatórios em relação ao seu potencial e esforço, sobre recuperações, mudanças de escola, repetições de ano e até mesmo a evasão escolar.
É cotidiano, o relato dos adultos sobre suas frustrações nos bancos escolares. Sobre quantas vezes o disléxico se escondeu para o professor não chamá-lo a ler em voz alta na classe. Sensibilizamo-nos ao saber das experiências traumatizantes pelas quais passaram e ainda passam, não apenas na escola, mas também família e sociedade. O “bullying” e a identidade frágil que constrói a partir do olhar do outro.
Renato, 29 anos, portador de dislexia severa, conta que passou por diversos profissionais, pois manifestava desde o início de seu processo escolar dificuldades para ser alfabetizado, mas nunca foi aventada a hipótese de dislexia. Somente aos 27 anos veio saber o nome do seu problema. Descreve que sofreu muito e que conseguiu com muita ajuda e dificuldade, depois de várias recuperações e reprovações, concluir o ensino fundamental. A seguir, depois de muitas tentativas frustradas, tratamentos inadequados e mudanças de escola, abandonou os estudos no início do ensino médio – muito embora fosse plenamente capacitado para graduação e para dar continuidade a sua vida acadêmica.
Assim, os disléxicos adultos acabam por desenvolver problemas secundários muito mais graves que a própria dislexia. São privados de ampliarem seu potencial, de obterem formação acadêmica, caso fossem tratados através de intervenção psicopedagógica e beneficiados com métodos adequados na escola. Esta situação ainda ocorre em nossa sociedade, apesar de todo o conhecimento de que dispomos.
Ainda hoje, os testes de linguagem, de leitura e de escrita, utilizados para a avaliação da dislexia nem sempre respeitam a evolução dos sinais indicativos e, consequentemente, podem falhar no diagnóstico do adulto. A maioria das avaliações é realizada através de testes para crianças, que não dispõe de recursos para a perfeita identificação das dificuldades que os jovens e adultos apresentam.
Além disto, os profissionais nem sempre identificam as habilidades manifestas dos adultos disléxicos, tais como sua capacidade criativa e sua possibilidade em áreas que utilizam raciocínio lógico, tais como ciências exatas, desenho, fotografia, propaganda e marketing, informática, paisagismo, dentre tantas outras aptidões.
Não identificar as habilidades dos jovens disléxicos decorrerá em limitações e impedimentos em sua orientação vocacional, em seu preparo acadêmico e na busca de seu caminho para atuar no mercado de trabalho e na sociedade, sem dizer dos prejuízos emocionais que farão parte de toda a sua existência.
Fonte :Tânia Freitas
Fala-se muito mais sobre dislexia hoje que há alguns poucos anos. O conhecimento atual evoluiu, sobretudo com as descobertas das neurociências sobre como se dá a aquisição da leitura e escrita e sobre as funções cerebrais durante a leitura. Através das neuroimagens, hoje sabemos como se processam as rotas neurais do disléxico
durante a leitura e no que se diferenciam do leitor comum. Os dados clínicos que dispomos sobre o disléxico, acompanhados da infância até a idade adulta, demonstram um quadro de evolução dos sinais da dislexia ao longo da vida do portador. Essa evolução ocorre porque embora alguns déficits fonológicos e visuais permaneçam, o disléxico é dotado de inteligência normal ou superior - e freqüentemente desenvolve estratégias compensatórias em seu processo de aprendizagem, ainda que lide com algumas limitações.
Um adulto inteligente com dificuldades de leitura convive com uma discrepância bastante significativa entre sua potencialidade e esforço, em detrimento dos resultados escolares obtidos ao longo de sua vida acadêmica, além de prejuízos em sua formação como um todo, decorrendo em sérios comprometimentos em sua vida pessoal, emociona e profissional.
Um quadro de dislexia no adulto costuma ser identificado através da anamnese. Sua história denota sinais indicadores do transtorno desde a fase pré- escolar, tais como atraso na aquisição da fala, trocas orais e/ou migrações de letras não esperadas pela faixa etária. Também são comuns dificuldades para nomear objetos, vocabulário pobre, dificuldade para aprender brincadeiras e cantigas infantis, principalmente quando evolvem rimas e aliterações.
É comum entre as crianças disléxicas o uso que fazem de palavras substitutas ou imprecisas, bem como confusão no uso de palavras que indicam direcionamento (dentro, fora, etc.). Apresentam-se, por outro lado, extremamente inteligentes, criativos e com aptidão para desmontar e construir brinquedos. Outro dado fundamental a ser rastreado é se os antecedentes familiares deflagraram dificuldades escolares ao longo de suas vidas acadêmicas, uma vez que já está comprovada a influência genética do distúrbio.
Na fase escolar, da primeira à quinta série, observam-se sinais mais claros e sugestivos da dislexia, como lentidão para aprender a ler ou mesmo dificuldades para acompanhar o início da escrita. Eles denotam dificuldades para memorizar o traçado das letras, não conseguem relacioná-las a contento com suas representações sonoras, decorrendo em trocas visuais (a/e/o, m/n/w, d/b, q/g) e auditivas (f/v, d/t, ch/j, b/p), em migrações de letras ou sílabas (“secada”/escada) não esperadas pela idade e série.
Apresentam dificuldades para soletrar as palavras e demonstram dificuldade acentuada para perceber a sílaba tônica das mesmas. Nota-se o esforço para a leitura da palavra isolada e principalmente de pseudopalavras (palavras inventadas), a pronúncia dificultosa de partes das palavras, bem como dificuldade para decorar as pronúncias e os significados de palavras novas ou não frequentes, o que os obriga à exaustiva repetição para decodificar e acessar o som e o significado das palavras.
Como se vê, há um padrão de evidências básicas que denotam deficiências no défict fonológico, além de questões de ineficiências relativas aos aspectos do processamento visual, que são fundamentais para a aquisição das habilidades da leitura e escrita. Esse padrão pontuado pelo portador da dislexia no decorrer de sua vida acaba se evidenciando ao longo das avaliações fonoaudiológica, psicopedagógica e neuropsicológica. Devemos ter em mente, entretanto que todo indivíduo possui suas especificidades, o que também se aplica aos seus processos individuais de aprendizagem.
Os sinais se modificam a partir da sexta série, na medida em que o aluno tendo a automatizar a decodificação da leitura e a codificação da escrita, mas sempre de forma mais custosa e lenta que seus colegas. A ineficiência na leitura neste período é mais evidente no quesito compreensão: o disléxico se queixa de não entender o que lê, apresentando dificuldades para acompanhar sua classe, por lhe faltarem as ferramentas básicas para edificar sua educação formal, para desenvolver suas competências cognitivas.
A partir daí, o processo tende a se agravar continuamente, em um círculo vicioso. Como não possui o hábito de ler, sobretudo pela dificuldade de compreensão, seu vocabulário tende a ser escasso, seu arquivo pessoal de conhecimentos pobre e o portador de dislexia se limita cada vez mais à produção de textos, em uma esforço natural para evitar o confronto com suas dificuldades e as críticas de pais, colegas e professores.
O adulto disléxico, do ensino médio até os bancos universitários, continuará desempenhando uma leitura mais lenta como sintoma principal, denotando uma automatização sim, mas não suficiente para a demanda da sua faixa etária e acadêmica. Apresentará real dificuldade para compreender o conteúdo lido, necessitando de várias leituras do mesmo texto ou que leiam para ele para entendê-lo.
A leitura oral tende a adquirir mais fluência, embora com entonação deficitária, sobretudo na prosódia e nas modulações. Apresenta pausas pela decodificação de palavras menos usuais, muito embora, exceto casos mais graves, já não se evidenciem as trocas severas da infância e adolescência. Hoje se sabe que o adulto disléxico não adquire a estratégia do “bom leitor”: a leitura interativa, que se apóia no significado do conteúdo expresso que o possibilitaria ler fazendo antecipações e verificações de hipóteses, dispondo de autorregulação mediada.
A lentidão decorre do fato de não ter o processo automatizado e por utilizar rotas neurais diferentes do leitor comum, que demandam tempo e esforço maior para atingir o mesmo objetivo. A compreensão normalmente ocorre pela ineficiência da leitura oral ou pelos problemas secundários adquiridos pela própria falta do hábito de leitura: a pobreza de vocabulário, pouco arquivo pessoal e pela ineficiente evolução do raciocínio crítico e interpretativo.
Na escrita, o disléxico adulto demonstra aquisição do código, mas possui dificuldades para se expressar adequadamente através desse código. Redigir é uma tarefa árdua, em que se sobressaem deficiência na utilização da linguagem formal que a vida adulta exige, tais como textos exíguos e muitas vezes pueris. O manejo formal é insatisfatório, não há alinhamento de margens, paragrafação e pontuação adequada. A ortografia é deficiente ao grafar palavras menos frequentes e que requerem múltiplas associações, apresentando trocas pedagógicas como s/c/ ss; c/ç; s/sc; ch/x; j/g etc.
Este é o panorama do quadro do disléxico adulto. Ele contará sobre um histórico de leitura e escrita sempre árduo e deficiente, sobre dificuldades escolares que vão se acumulando ao longo de sua vida, sobre aulas particulares que não supriram suas deficiências. Contará sobre resultados insatisfatórios em relação ao seu potencial e esforço, sobre recuperações, mudanças de escola, repetições de ano e até mesmo a evasão escolar.
É cotidiano, o relato dos adultos sobre suas frustrações nos bancos escolares. Sobre quantas vezes o disléxico se escondeu para o professor não chamá-lo a ler em voz alta na classe. Sensibilizamo-nos ao saber das experiências traumatizantes pelas quais passaram e ainda passam, não apenas na escola, mas também família e sociedade. O “bullying” e a identidade frágil que constrói a partir do olhar do outro.
Renato, 29 anos, portador de dislexia severa, conta que passou por diversos profissionais, pois manifestava desde o início de seu processo escolar dificuldades para ser alfabetizado, mas nunca foi aventada a hipótese de dislexia. Somente aos 27 anos veio saber o nome do seu problema. Descreve que sofreu muito e que conseguiu com muita ajuda e dificuldade, depois de várias recuperações e reprovações, concluir o ensino fundamental. A seguir, depois de muitas tentativas frustradas, tratamentos inadequados e mudanças de escola, abandonou os estudos no início do ensino médio – muito embora fosse plenamente capacitado para graduação e para dar continuidade a sua vida acadêmica.
Assim, os disléxicos adultos acabam por desenvolver problemas secundários muito mais graves que a própria dislexia. São privados de ampliarem seu potencial, de obterem formação acadêmica, caso fossem tratados através de intervenção psicopedagógica e beneficiados com métodos adequados na escola. Esta situação ainda ocorre em nossa sociedade, apesar de todo o conhecimento de que dispomos.
Ainda hoje, os testes de linguagem, de leitura e de escrita, utilizados para a avaliação da dislexia nem sempre respeitam a evolução dos sinais indicativos e, consequentemente, podem falhar no diagnóstico do adulto. A maioria das avaliações é realizada através de testes para crianças, que não dispõe de recursos para a perfeita identificação das dificuldades que os jovens e adultos apresentam.
Além disto, os profissionais nem sempre identificam as habilidades manifestas dos adultos disléxicos, tais como sua capacidade criativa e sua possibilidade em áreas que utilizam raciocínio lógico, tais como ciências exatas, desenho, fotografia, propaganda e marketing, informática, paisagismo, dentre tantas outras aptidões.
Não identificar as habilidades dos jovens disléxicos decorrerá em limitações e impedimentos em sua orientação vocacional, em seu preparo acadêmico e na busca de seu caminho para atuar no mercado de trabalho e na sociedade, sem dizer dos prejuízos emocionais que farão parte de toda a sua existência.
Fonte :Tânia Freitas
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