domingo, 26 de fevereiro de 2012

PAPEL dos FATORES VISUAIS na DISLEXIA

O Papel dos Fatores Visuais na Dislexia

Assim como uma consideração das deficiências sutis de linguagem nas crianças disléxicas é importante para se entender a natureza precisa de suas dificuldades de leitura e ortografia, também devem ser levadas em conta suas habilidades de processamento visual. Entretanto, não há evidência conclusiva de que as deficiências de processamento visual em si causem dislexia. Mas isso não exclui a possibilidade de que essas dificuldades possam aumentar o problema da leitura. Acredita-se que as habilidades visuais contribuem para o desenvolvimento da leitura; na verdade, elas podem ser particularmente importantes nas crianças que têm dificuldades de linguagem na provisão de um; conjunto alternativo de estratégias compensatórias para elas.
Há duas linhas principais a serem seguidas na pesquisa atual sobre o fatores visuais na dislexia. Stein e seus colegas (Stein, 1991) têm sugerido que as crianças disléxicas têm controle motor ocular deficiente. Grande parte da sua pesquisa usou o Dunlop Test como parte de uma avaliação ortóptica e mostrou que menos crianças disléxicas do que leitores normais têm um olho de referência estabelecido. Eles recomendam a oclusão monocular como um meio de se estimular o controle binocular e facilitar a aprendizagem da leitura (ver Bishop, 1989, para uma crítica).
Lovegrove e seus colegas buscaram outra possibilidade, qual seja, de que as crianças disléxicas tenham deficiências de nível baixo do sistema visual transitório (Lovegrove e Williams, 1993). Essas dificuldades levariam as crianças a experimentar embaçamento do texto impresso e,por isso, afetariam suas leituras. Os dados que o grupo de Lovegrove apresentam são convincentes, mas, ao contrário dos dados sobre déficits fonológicos, não há evidências sugerindo que tais deficiências visuais estejam causalmente relacionadas a problemas de leitura. O que está faltando é um estudo longitudinal que examine o papel dos fatores visuais na aprendizagem da leitura. Acreditamos que, até que essa evidência esteja disponível, é importante que os profissionais estejam alertas para a possibilidade de que deficiências no processamento perceptual e déficits da meritória visual exacerbem as dificuldades dos disléxicos. Onde existem problemas perceptuais pode-se prever também problemas de controle mental. Algumas crianças disléxicas têm dificuldades com as habilidades motoras finas, as quais impedem o desenvolvimento da caligrafia e das habilidades a ela relacionadas (ver Taylor, neste volume). Em uma veia similar, muitas crianças disléxicas têm problemas de concentração, particularmente nas salas de aula. Talvez a explicação mais simples seja que as crianças não conseguem enfrentar os materiais escritos apresentados e, por isso, suas mentes se desviam. Entretanto, algumas crianças disléxicas têm. dificuldades mais profundas com o controle da atenção. Estas requerem uma investigação à parte, porquanto, caso não sejam tratadas, exacerbarão a condição disléxica.
O PAPEL

DISLEXIA:Como trabalhar com ela?

DISLEXIA: COMO TRABALHAR COM ELA?
DIAGNÓSTICO DEVE SER FEITO O MAIS CEDO POSSÍVEL
Desde a pré-escola é possível detectar alguns sinais de dislexia e é importante estar atento a eles. Quanto mais cedo o distúrbio for identificado, melhor. A demora no diagnóstico pode ocasionar severas conseqüências emocionais. A opinião é da psicopedagoga e fonoaudióloga Maria Ângela Nico, coordenadora científica da Associação Brasileira de Dislexia (ABD).
Para Maria Ângela, é importante que o diagnóstico seja feito o mais cedo possível, especialmente no caso de a criança possuir pais ou outros parentes com dislexia, já que o transtorno é genético e hereditário. A ABD recomenda que a avaliação seja feita por uma equipe multidisciplinar, composta por psicólogo, fonoaudiólogo, e psicopedagogo clínico. Se necessário, a equipe poderá contar com parecer de outros profissionais, como neurologista e oftalmologista. O diagnóstico deve ser feito por exclusão, ou seja, devem ser verificadas todas as possibilidades antes da confirmação de dislexia.
Maria Ângela, que defende uma revisão dos métodos de alfabetização e de ensino, é co-autora de uma cartilha voltada para portadores de dislexia – Facilitando a Alfabetização – Multissensorial, Fônica e Articulatória. Lançada em 2007, a cartilha vem acompanhada de um caderno multissensorial, para estimular o visual, o auditivo e o tátil senestésico.
“Como o disléxico é inteligente, pode freqüentar qualquer escola, não precisa ser especifica. É necessário que o professor e toda a escola saibam o que é a dislexia, para lidar e acolher o aluno disléxico”, acredita. Para ela, a primeira e urgente medida a ser tomada é a capacitação dos educadores, tanto da rede pública quanto particular, para que saibam o que é o distúrbio e evitem o diagnóstico tardio.
“A capacitação deverá ser feita não só para reconhecer sinais da dislexia, mas para todos os distúrbios de aprendizagem, pois pertence a um deles. Ela deverá começar nas universidades e depois, se preciso, ser reforçada ou reciclada pelas secretarias de educação e/ou pelo MEC”, ressalta.
Associações – A ABD foi criada em 1983, em São Paulo (SP), com a missão de ajudar de todas as formas o disléxico e os portadores de distúrbios de aprendizagem, inclusive carentes. A Associação Nacional de Dislexia (AND) foi fundada no Rio de Janeiro (RJ), no ano 2000, para congregar fonoaudiólogos, psicopedagogos, psicólogos, pedagogos, médicos, profissionais de áreas afins, pais, portadores do distúrbio, instituições e associações que se dediquem ao aprofundamento dos estudos sobre dislexia.
As duas associações, juntamente com o Ministério da Educação, Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA) e Associação de Pais e Amigos dos Disléxicos (APAD), participam de um grupo de trabalho. O objetivo é realizar estudos sobre os transtornos funcionais específicos e definir diretrizes de acordo com a Política Nacional de Educação Inclusiva.
Personalidades de destaque em diferentes áreas, como Einstein, Darwin, Leonardo Da Vinci, Michelangelo, e Van Gogh, tinham dislexia. Atualmente, sabe-se que Bill Gates, príncipe Charles, Robin Williams, e Tom Cruise, estão entre os portadores do distúrbio.

Fonte: www.portaldoprofessor.mec.gov.br

DISLEXIA: Dificuldades encontradas

Dislexia; Fatores que Influenciam: As Dificulddades Encontradas
A Dislexia
A dislexia é um transtorno genético e hereditário presente em aproximadamente 10% da população mundial, podendo também ser causada pela produção exacerbada de testosterona pela mãe, durante a gestação.

A dislexia vezes confundida com déficit de atenção, problemas psicológicos, esse transtorno se caracteriza pela dificuldade do indivíduo em decodificar símbolos, ler, escrever, soletrar, compreender um texto, reconhecer fonemas, exercer tarefas relacionadas à coordenação motora; e pelo hábito de trocar, inverter, omitir ou acrescentar letras/palavras ao escrever.

Pessoas disléxicas possuem a área lateral-direita do cérebro mais desenvolvida que a de pessoas que não possuem esta síndrome, tendo geralmente, por tal motivo, mais facilidade em questões relacionadas à criatividade, solução de problemas, mecânica e esportes.
Diagnóstico e tratamento da dislexia
É importante para o clínico ser sensível a respeito de como tal distúrbio se manifestam em termos de comportamento da criança, sintomatologia, história e resultados em testes (Pennington, 1997).
Nico (2005) recomenda que o diagnóstico seja feito por uma equipe multidisciplinar (psicólogo, um fonoaudiólogo, um psicopedagogo e um neurologista) não somente para se obter o diagnóstico de dislexia, mas para se determinarem, ou eliminarem, fatores coexistentes de importância para o tratamento. Além disso, o diagnóstico deve ser significativo para os pais e educadores, assim como para a criança. Ou seja, simplesmente encontrar um rótulo não deve ser o objetivo da avaliação, mas tentar estabelecer um prognóstico e encontrar elementos significativos para o programa de reeducação. É de grande importância que sejam obtidas informações sobre o potencial da criança, bem como sobre suas características psiconeurológicas, seu desempenho e o repertório já adquirido. Informações sobre métodos de ensino pelos quais a criança foi submetida também são de grande significação.
Apresentação dos sintomas
Os sintomas-chave na dislexia são dificuldades para ler e soletrar, freqüentemente com desempenho em matemática relativamente melhor. Como algumas crianças disléxicas gostam de ler ou têm boa compreensão de leitura, é importante verificar especificamente a leitura em voz alta e a aprendizagem fônica. Pais e professores poderão relatar ritmos lentos de leitura ou de escrita, inversão de letras e números, problemas na memorização dos fatos matemáticos básicos e erros incomuns em leitura e soletração (Ver Tabela 1).
O mais importante é que a indicação inicial pode ocorrer não pelos sintomas cognitivos, mas pelos físicos ou emocionais, tais como ansiedade ou depressão, relutância em ir à escola, dores de cabeça e problemas estomacais. É importante verificar se esses sintomas ocorrem sempre ou só nos dias escolares. Mesmo que ocorram sempre, a causa principal pode ser a dislexia devido a fracassos.
Alguns Sintomas de Dislexias
Dificuldade na aquisição e automação da leitura e escrita
Pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras)
Desatenção e dispersão
Dificuldade em copiar de livros e da lousa
Dificuldade na coordenação motora fina ,(desenhos, pintura) grossa (ginástica, dança
Desorganização geral: podemos citar os constantes atrasos na entrega de trabalhos escolares e perda de materiais escolares
Confusão entre esquerda e direita
Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas
Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou sentenças longas e vagas
Dificuldade na memória de curto prazo, como instruções, recados
Dificuldades em decorar seqüências, como meses do ano, alfabeto, tabuada
Dificuldade na matemática e desenho geométrico
Dificuldade em nomear objetos e pessoas,Troca de letras na escrita
Dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua
Problemas de conduta como: depressão, timidez excessiva ou o "palhaço da turma
Bom desempenho em provas orais. ou visuais
Segundo Mabel Condemarín (l989, p. 55), a dificuldade de aprendizagem esta relacionada com a linguagem leitura, escrita e ortografia, pode ser inicial e informalmente um diagnóstico mais preciso deve ser feito e confirmado por neurolingüista diagnosticada pelo professor da língua materna, com formação na área de Letras e com habilitação em pedagogia que pode vir a realizar uma medição da velocidade da leitura da criança, utilizando, para tanto, a seguinte ficha de observação, com as seguintes questões a serem prontamente respondidas:
• A criança movimenta os lábios ou murmura ao ler?
• A criança movimenta a cabeça ao longo da linha?
• Sua leitura silenciosa é mais rápida que a oral ou mantém o mesmo ritmo de velocidade?
• A criança segue a linha com o dedo?
• A criança faz excessivas fixações do olho ao longo da linha impressa?
• A criança demonstra excessiva tensão ao ler?
• A criança efetua excessivos retrocessos da vista ao ler?
Para o exame dos dois últimos pontos, é recomendável que o professor coloque um espelho do lado posto da página que a criança lê. O professor coloca-se atrás e nessa posição pode olhar no espelho os movimentos dos olhos da criança.
O cloze, que consiste em pedir à criança para completar certas palavras omitidas no texto, pode ser importante aliado para o professor de língua materna determinar o nível de compreensibilidade do material de leitura (ALLIENDE: 1987, p.144)
Fonte: Martins, Vicente. A dislexia em sala de aula . In PINTO, Maria Alice Leite. (Org.). Psicopedagogia: diversas faces, múltiplos olhares. São Paulo: Olho d"áGUA, 2003.

DIFICULDADES da LINGUAGEM ESCRITA na DISLEXIA

DIFICULDADES DA LINGUAGEM ESCRITA NA DISLEXIA

Para entender o efeito das dificuldades fonológicas no domínio da linguagem falada sobre a aquisição das habilidades da linguagem escrita, é necessário considerar o que o desenvolvimento da leitura envolve. Aprender a ler em uma escrita alfabética, como o inglês, requer uma apreciação das correspondências entre as letras e os sons - o princípio alfabético. Ainda que . muitas crianças pequenas comecem lendo palavras inteiras pelo reconhecimento visual, elas precisam aprender como as letras nas palavras impressas representam os sons das palavras faladas, se quiserem ser leitores flexíveis. O primeiro passo nesse processo requer a capacidade para refletir sobre a fala, isto é, a "consciência fonológica". Por isso, as crianças disléxicas que têm dificuldades no domínio fonológico estão desde o início em desvantagem. As crianças disléxicas, freqüentemente, continuam a confiar em um vocabulário de reconhecimento visual na leitura e, assim, cometem muitos erros de leitura visual, como, por exemplo, GRANDMOTHER - gentleman; FROM - for; ORGAN – Orange. (ver Goulandris, neste volume). Elas são incapazes de abstrair as correspondências entre letra e som da sua experiência com palavras impressas e, por isso, não conseguem desenvolver estratégias de leitura fonológica (fônica) (Manis et al., 1993; Snowling, 1980; 1981). Na verdade, há muitas evidências de que as crianças disléxicas têm dificuldades na leitura de não-palavras que estão em descompasso com suas habilidades de leitura visual (Rack, Snowling e Olson, 1992).
Segundo Frith (1985), o disléxico desenvolvimental clássico não consegue realizar a transição para a fase alfabética do desenvolvimento da alfabetização. Além de suas dificuldades com a leitura, tais crianças também tendem a ter problemas para soletrar as palavras da maneira como elas soam. Enquanto os erros de ortografia fonética são comuns na escrita de crianças pequenas, como, por exemplo, PACKET - pakit; YELLOW - yelo, as crianças disléxicas freqüentemente fazem tentativas não-fonéticas, como, por exemplo, pagit, yorol. As crianças que lêem e falam desta maneira têm sido, às vezes, descritas como disléxicas fonológicas desenvolvimentais (Temple e Marshall, 1983; Seymour, 1986).
Entretanto, há também crianças disléxicas que parecem ter dominado habilidades alfabéticas. Segundo Frith, essas crianças estão falhando em realizar a transição para a fase ortográfica do desenvolvimento. Essas crianças são, às vezes, referidas como disgráficas desenvolvimentais ou disléxicas desenvolvimentais superficiais (Coltheart, Masterson, Byng et al., 1983; Seymour, 1986). Em inglês, soletrar alfabeticamente não constitui uma ortografia precisa, pois há muitas exceções às regras que as crianças precisam dominar (ver Cootes e Simpson, neste volume). A característica clássica dessas crianças é que elas lêem muito bem no contexto, mas, na leitura de palavras soltas, confiam muito na emissão do som. Elas têm dificuldades específicas com homófonos como PEAR-PAIR e LEEK-LEAK, que confundem e cuja ortografia é em geral fonética.
Embora haja uma carência visível de evidências em prol de subtipos distintos (cf. Bryant e Impey, 1986), muitos estudos sistemáticos de diferenças individuais entre disléxicos têm revelado variações em suas habilidades de leitura (Castles e Coltheart, 1993). Em um estudo recente, comparamos duas crianças que exibiam um estilo disléxico fonológico de leitura (lendo palavras de maneira significativamente melhor do que não-palavras), com duas crianças que pareciam disléxicas superficiais (lendo palavras irregulares de maneira significativamente pior do que as palavras regulares). Avaliando o desenvolvimento dessas crianças durante dois anos, descobrimos que elas diferiam na gravidade dos seus problemas de processamento fonológico (Snowling e Goulandris, no prelo). As duas crianças que mostraram um perfil disléxico fonológico tiveram mais dificuldade com o processamento fonológico do que as duas que mostraram um perfil disléxico superficial, avaliado por testes de rima, repetição de não-palavras e ortografia. Entretanto, até mesmo os disléxicos superficiais tiveram um desempenho pior nas tarefas fonológicas do que os leitores normais da mesma idade. Tais descobertas corroboram a hipótese de que as dificuldades de leitura dos disléxicos originam-se de problemas de processamento fonológico. Entretanto, sugerem que a gravidade das dificuldades fonológicas das crianças podem afetar a maneira em que o seu sistema de leitura torna-se estabelecido e se elas parecem disléxicas fonológicas ou superficiais.

Dificuldades comumente associadas à DISLEXIA

DIFICULDADES COMUMENTE ASSOCIADAS À DISLEXIA

A visão da dislexia que defendemos aqui é semelhante ao modelo da dislexia da diferença fonológica de cerne variável (phonological core-variable difference), desenvolvida por Stanovich em uma série de artigos (Stanovich, 1986; Stanovich, 1994; Stanovich e Siegel, 1994). Colocado de maneira simpIes, o cerne da dislexia é um déficit do processamento fonológico, e quanto mais próximo do cerne está uma determinada habilidade de processamento, maior a certeza de que os leitores deficientes diferirão dos leitores normais com respeito a essa habilidade. As habilidades próximas ao cerne da dislexia incluem a leitura de não-palavras e aspectos da consciência fonológica; as habilidades não tão próximas incluem avaliações da memória de trabalho e da compreensão auditiva. É com relação a estas duas últimas habilidades que esperamos encontrar diferenças entre os leitores disléxicos e outros tipos de leitores deficientes, como, por exemplo, aqueles com dificuldades gerais de linguagem.

NOÇÃO Básica do que vem a ser DISLEXIA

Ao desmembrarmos a palavra, de imediato temos a primeira noção básica do que vem a ser dislexia.

DIS = distúrbio, dificuldade

LEXIA = leitura (do latim) e/ou linguagem (do grego)

DISLEXIA = distúrbio da linguagem.

Embora etimologicamente Dislexia seja traduzido do latim e do grego como distúrbio de linguagem, esse termo foi adotado para denominar um distúrbio específico na aquisição da leitura e escrita. Isso não implica que, ao menor sinal de dificuldade nessa área, possamos identificar um indivíduo disléxico. São várias as causas que podem intervir no processo da aquisição da linguagem, por isso se toma tão importante um diagnóstico preciso realizado por uma equipe multidisciplinar e de exclusão.

Seria muito importante que todos os professores soubessem o que é dislexia. Com a devida orientação, o aluno conseguirá ser bem sucedido em classe.

Algumas dicas:

Dê ao aluno disléxico um resumo do curso;

Avise no primeiro dia de aula sobre o desejo de conversar com o aluno individualmente;

Detalhe no início do curso, todas as exigências, inclusive a matéria a ser dada;

Use vários materiais de apoio para apresentar a lição à classe, como: lousa, projetores de slides, retroprojetores, filmes educativos, demonstrações práticas e outros recursos multimídia;

Introduza o vocabulário novo, ou técnico, de forma contextualizada;

Evite confusões, isto é, dando instruções orais e escritas ao mesmo tempo.

Quanto à leitura:

Anuncie os trabalhos com antecedência, para que a criança disléxica tenha tempo de se organizar;

Proponha dinâmicas de grupo, entrevistas e trabalho de campo;

Dê exemplos de perguntas e respostas para o estudo de provas;

Diversifique a avaliação com métodos alternativos;

Autorize uso de tabuadas, calculadoras e dicionários durante as provas;

Leia a prova em voz alta e certifique-se que todos entenderam.

Dessa forma a escola estará contribuindo para amenizar as dificuldades do disléxico.


Fonte: Eliane Pisani Leite - Autora do livro: Pais EducAtivos

ETIOLOGIA da DISLEXIA

Etiologia
A rigor, não há nenhuma segurança em afirmar uma ou outra etiologia para a causa da dislexia, mas há algumas situações que foram descartadas:
Em hipótese alguma o disléxico tem comprometimento intelectual. Segundo a Teoria das Inteligências Múltiplas, o ser humano possui habilidades cognitivas: inteligência interpessoal, inteligência intrapessoal, inteligência lógica-matemática, inteligência espacial, inteligência corporal-cinestésica, inteligência verbal-linguística, inteligência musical, naturalista, existencial e pictórica. O disléxico teria sua inteligência mais predisposta à inteligência corporal-cinestésica, musical, espacial.
Quanto ao emocional, é preciso avaliar muito bem. Pode haver um comprometimento do emocional como conseqüência das dificuldades da dislexia, mas nunca como causa única.
A criança dislexia não tem perda auditiva.
Há vários estudos:
A) Uma falha no sistema nervoso central em sua habilidade para organizar os grafemas, isto é, as letras ou decodificar os fonemas, ou seja, as unidades sonoras distintivas no âmbito da palavra.
B) O impedimento cerebral relacionado com a capacidade de visualização das palavras.
C) Diferenças entre os hemisférios e alteração (displasias e ectopias) do lado direito do cérebro. Isso implica, entre outras coisas, uma dominância da lateralidade invertida ou indefinida. Mas também justifica o desenvolvimento maior da intuição, da criatividade, da aptidão para as artes, do raciocínio mais holístico, de serem mais subjetivos e todas as outras qualidades características do hemisfério direito.
D) Inadequado processamento auditivo (consciência fonológica) da informação lingüística.
E) Implicações relação afetiva materno-filial, o que pode entravar a necessidade da linguagem, e mais tarde a aprendizagem da leitura e escrita.

Sinais encontrados em DISLÉXICOS

Sinais encontrados em Disléxicos:
Desde a pré-escola alguns sinais e sintomas podem oferecer pistas que a criança é disléxica. Eles não são suficientes para se fechar um diagnóstico, mas vale prestar atenção:
• Fraco desenvolvimento da atenção.
• Falta de capacidade para brincar com outras crianças.
• Atraso no desenvolvimento da fala e escrita.
• Atraso no desenvolvimento visual.
• Falta de coordenação motora.
• Dificuldade em aprender rimas/canções.
• Falta de interesse em livros impressos.
• Dificuldade em acompanhar histórias.
• Dificuldade com a memória imediata organização geral.

TIPOS de DISLEXIA

Tipos de Dislexia:
• DISLEXIA ACÚSTICA: manifesta-se na insuficiência para a diferenciação acústica (sonora ou fonética) dos fonemas e na análise e síntese dos mesmos, ocorrendo omissões, distorções, transposições ou substituições de fonemas. Confundem-se os fonemas por sua semelhança Articulatória.
• DISLEXIA VISUAL: Ocorre quando há imprecisão de coordenação viso-especial manifestando-se na confusão de letras com semelhança gráfica. Não temos dúvida que o primeiro procedimento dos pais e educadores é levar a criança a um médico oftalmologista.
• DISLEXIA MOTRIZ: evidencia-se na dificuldade para o movimento ocular. Há uma nítida limitação do campo visual que provoca retrocessos e principalmente intervalos mudos ao ler.
Lembre-se em observar:
• Alterações de grafia como "a-o", "e-d", "h-n" e "e-d", por exemplo.
• As crianças disléxicas apresentam uma caligrafia muito defeituosa, verificando-se irregularidade do desenho das letras, denotando, assim, perda de concentração e de fluidez de raciocínio.
• As crianças disléxicas, ainda segundo o professor, apresentam confusão com letras com grafia similar, mas com diferente orientação no espaço como "b-d". "d-p", "b-q", "d-b", "d-p", "d-q", "n-u" e "a-e". Ocorre também com os números 6;9;1;7;3;5, etc.
• Apresenta dificuldade em realizar cálculos por se atrapalhar com a grafia numérica ou não compreende a situação problema a ser resolvida.
• Confusões com os sinais (+) adição e (x) multiplicação.
• A dificuldade pode ser ainda para letras que possuem um ponto de articulação comum e cujos sons são acusticamente próximos: "d-t" e "c-q", por exemplo.
• Na lista de dificuldades dos disléxicos, para o diagnóstico precoce dos distúrbios de letras, chamamos a atenção de educadores, e pais para as inversões de sílabas ou palavras como "sol-los", "som-mos" bem como a adição ou omissão de sons como "casa-casaco", repetição de sílabas, salto de linhas e soletração defeituosa de palavras.

SINTOMAS que não deve ignorar

Sintomas que não deve ignorar

Na idade pré-escolar, se a criança apresenta uma tendência para a dispersão, com pouca capacidade
de estar atenta, em conjunto com um atraso ao nível da linguagem (que se manifesta, por exemplo, na dificuldade de aprender canções e rimas) e com dificuldades na coordenação matara, então é conveniente a procura de um especialista, que possa verificar a que se devem estes sintomas.

Na idade escolar as principais dificuldades com que os pais se podem preocupar são:

- Copiar textos e decorar matérias;
- Consultar dicionários, mapas, listas telefônicas;
- Lateralidade;
- Organização de memória (esquecimentos, atrasos, perda de material);
- Vocabulário (frases curtas e imaturas ou longas e confusas);
- Desenho geométrico;
- Escrita (troca de letras).

É comum que as crianças disléxicas expressem a sua frustração através de comportamentos inadequados dentro e fora da sala de aula. Portanto, é muito importante perceber a diferença entre a dislexia e a preguiça ou mau comportamento só por si.

Sinais de Alerta para a detecção da DISLEXIA

Sinais de alerta para a detecção da dislexia

A dislexia é uma dificuldade específica na aquisição da linguagem. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, não resulta de uma má alfabetização, de falta de atenção, de desmotivação ou de baixa inteligência. Trata-se, sim, de uma perturbação neurológica.

Hoje em dia, há uma elevada tendência para classificar uma criança como disléxica sem que tenha havido um despiste adequado por parte de especialistas. Facilmente um professor ou um pai referem que uma criança é disléxica, apenas porque confunde algumas letras ou porque tem maus resultados escolares. Muitas vezes, estes sintomas escondem, não uma dislexia, mas sim questões emocionais de fundo, que acabam por se refletir na aprendizagem porque a criança não tem disponibilidade para aprender. Provavelmente estará a viver preocupações e angústias que não lhe permitem dedicar-se ou estar motivada para a escola. Por tudo isto, o ideal é, perante a dúvida, procurar um especialista que possa fazer uma avaliação adequada e perceber o que de fato se passa com a criança.

Em relação à dislexia, depois de convenientemente diagnosticada, sabe-se que há características que
quase sempre estão presentes. Assim, aquilo que os pais devem fazer, tal como em muitas outras situações, é sobretudo estarem atentos, pois se não houver um acompanhamento adequado, os sintomas persistirão e poderão resultar em prejuízos emocionais.

Deixamos algumas indicações que poderão ajudar os pais a perceber o que de fato é relevante e
indicar a existência de uma dislexia ou de outra dificuldade específica. No entanto, salientamos que a presença de alguns destes sintomas não significam obrigatoriamente que haja dislexia.

Como saber se seu filho tem dislexia

Como saber se seu filho tem dislexia

Normalmente, os indícios não se cristalizam até que seu filho comece a ler e, mesmo nesse período, pode levar algum tempo até que a dislexia possa ser claramente diagnosticada. (Em alguns casos mais sérios, existem sinais que aparecem mesmo antes de a criança começar a ler, como o atraso na fala). Até os seis ou sete anos, não é raro as crianças inverterem letras ou palavras quando lêem ou escrevem; mas, quando seu filho tiver oito anos, esses sinais podem indicar um problema mais sério. Na terceira série, exames específicos podem revelar se seu filho tem dislexia. Esses exames são geralmente realizados após uma criança apresentar problemas persistentes com a leitura. Uma avaliação da capacidade de leitura (velocidade, decodificação, memória e compreensão) e da capacidade intelectual geral (QI), feita na escola ou em um lugar especializado, podem determinar se seu filho tem ou não dislexia. Os especialistas também vão recomendar que seu filho faça exames para verificar problemas médicos, visuais ou auditivos.

Talvez você sinta que seu filho não está acompanhando o ritmo dos outros. Pode perceber isso por meio de um ou mais dos seguintes indícios:

• Baixa auto-estima.
• Dificuldade para soletrar.
• Dificuldade para ler em voz alta.
• Confusão entre esquerda e direita.
• Problemas para seguir direções.
• Demora para terminar exercícios de escrita.
• Dificuldades com matemática.
• Relutancia em ir à escola.

Tenha em mente que a dislexia é um transtorno “invisível”, o que não significa que seu filho não vá sentir como se seu problema fosse óbvio para qualquer pessoa que o veja. Na verdade, ninguém pode apontar para a dislexia como para uma perna quebrada; não há sinais evidentes que diferenciem seu filho de qualquer outra criança. Por essa razão, acredito eu, a criança com dislexia vivencia sua “vida secreta” de maneira singular: é bem consciente de que não é como as outras crianças, mas pode ser impelida a manter um véu de sigilo sobre seu transtorno.